É muito comum me questionarem sobre como é sair sozinha ou o que me motiva a fazê-lo. Há quem também pergunte se é sempre bom. Costumo responder com a máxima verdade possível: NÃO! Nem sempre é bom. Depende de uma série de fatores, a começar por mim. Para ilustrar melhor, vou usar duas experiências concretas e pessoais que ocorreram uma praticamente seguida da outra, o que acredito vá facilitar a possibilidade de estabelecer o contraponto. Ao menos, é o que vou tentar fazer, sem me perder ou te confundir, certo?
No sábado que antecedeu este último (hoje é segunda), lá estava eu toda serelepe para a noitada. Meu astral estava no topo da montanha mais alta que se possa imaginar. Em consequência, estava animada e bem disposta, naturalmente.
Nem me produzi muito, pra ser bem franca. Coloquei aquela saia jeans básica; uma regata também básica, mas de cor marcante; e um sapato estiloso. Dei aquele tapa no cabelo; fiz uma maquiagem razoável e estava pronta.
Embora tenha corrido contra o tempo, não consegui chegar cedo e peguei uma fila de dar desgosto em qualquer um. Para intensificar o drama, ao contrário de outras oportunidades, não me diverti enquanto esperava a fila andar, no sentido literal. O casal a minha frente era quase que a cópia fiel de “Suelen e Rony” (ou Leandro, se preferir), de Avenida Brasil. Não que eu estivesse interessada em ouvir o papo deles, que fique claro. Só foi inevitável, dada a proximidade e a altura com que eles conversavam. Ao que entendi, ele é um jogador de futebol com futuro promissor e ela só falava da carreira dele. Um verdadeiro tédio para quem não curte futebol e/ou celebridades: eu.
Às minhas costas, uma turma de um sem número de jovens. Um pessoal que transbordava bobagens pelos poros, imagine pela boca. Nunca ouvi tanta futilidade junta. Fiquei impressionada com o nível, sério mesmo.
Quando finalmente consegui entrar, a casa já estava relativamente cheia e o tamanho da fila lá fora ainda era de assustar. O que me levou a crer que o ambiente ficaria bem apertado. E assim foi. Passei a noite inteira tentando encontrar o meu lugar na balada. Sabe aquele canto em que a gente se sente bem e fica? Pois é...busca vã. Não achei.
Foi um tal de esbarra daqui, empurra dali. Entre um e outro, o meu humor foi batendo em retirada. Aí, pronto! Tudo começou a me incomodar. A abordagem das pessoas. O calor. A quase que total ausência de educação do povo. TUDO!
Por todo o exposto, assim que terminou a segunda banda, às 02h45, paguei a conta para evitar mais fila e fui embora imediatamente. Bem mais cedo que o habitual. Preciso dizer que a noite não foi boa? O meu estado de espírito estava ótimo. O lugar estava bombando. A música a contento, mas ainda assim, naquela noite, eu não consegui me divertir e a minha companhia não me fez bem. Vai entender...
Já neste último sábado, a história foi outra e o desfecho também, é claro. Qual foi o cenário? Absolutamente o mesmo. As bandas que tocaram também as mesmas. Estava tão cheio quanto no sábado anterior. A diferença? Vou lhe contar já.
Creio que a principal ou talvez a única diferença entre a primeira e a segunda situação esteja relacionada ao meu estado de espírito. Na primeira, eu estava radiante. Já na segunda...
Bom, acho já deu pra notar que o meu humor não estava nada animador, certo? Exato! Na realidade, eu estava tão desanimada e cansada de tudo que tinha decidido ficar em casa e poupar as pessoas de tal energia pesada. Minha prima me convidou para sair com a turma e eu declinei sem nem pensar a respeito.
Já determinada a ficar em casa e me afundar sob as cobertas, de repente me deu um estalo. Sei lá...não sei explicar direito. Me bateu uma vontade de caminhar, sem rumo. Tomar um sorvete para esfriar a cabeça no percurso, enfim...
Eu segui esse instinto e fui dar uma volta. Já era noite. Cheguei ao calçadão da praia, sentei na borda, pisei na areia e fiquei ali. Deixei-me envolver pela brisa que vinha do mar e mergulhei no brilho das luzes dos navios ao longe. Permaneci assim por um bom tempo e sem pensar em NADA. Até que os pensamentos retomaram o seu lugar e espaço. Pensei na vida e, de tanto pensar sem chegar à conclusão alguma, chorei. E, chorando, conversei com Deus em voz alta. Isso mesmo! Feito uma louca. Em resposta, a serenidade não custou a tomar conta de mim.
De alguma forma, nesta conversa que tive com Ele, recuperei um pouco de mim. Então, levantei e voltei para casa sem pressa, mas também sem peso nas costas. Voltei leve.
Ao pisar em casa, decidi que não ficaria entocada de jeito nenhum. E não fiquei.
Escolhi o look de acordo com o salto, a volta que dei no meu desânimo. Não tive pressa alguma. Cuidei de cada detalhe até que olhei-me no espelho e me senti pronta. Ao ver meu reflexo, me reconheci novamente - uma mulher forte e determinada a ser quem é. E mais nada.
Cheguei bem mais cedo que na fatídica noite anterior. Tão cedo que perguntei ao chegar: já está aberto? Ao que a recepcionista respondeu toda sorridente: Sim! Então, já fui caminhando em direção à porta, quando ela perguntou: mas, já vai entrar? E eu: Sim. E, pasme, ela disse com ar de indignação: é que você será a primeira a entrar. E eu respondi: sem problema. Já estou aqui mesmo. Ela reagiu da forma mais engraçada de todas as que já presenciei. Arregalou os olhos e pediu que eu aguardasse, pois o pessoal ainda estava acertando uns últimos detalhes. Eu apenas ri e pensei: oras, mas a casa já não estava aberta? No entanto, calei-me e aguardei a liberação oficial, rindo por dentro, evidente. Ali mesmo, naquele instante, eu tive a certeza de que a noite prometia muita diversão. Tenho de reconhecer que a minha intuição não me enganou.
Não quero cair em repetições desnecessárias. As reações de sempre ocorreram, mas não merecem o destaque da vez. O destaque vai para a interação que tive com várias pessoas, para as amizades que iniciei, para as risadas que dei, para as músicas que cantei, para os passos de dança que ensaiei e para os brindes que levantei.
Ah, já ia me esquecendo de duas coisas importantes. Como assim? Não posso, de jeito nenhum. A primeira é que encontrei uma amiga muito querida na balada, mas ela já me conhece tanto que me deixou à vontade para curtir a noite a meu modo. Aparecia vez ou outra para ver se estava tudo bem, ficava um pouco e voltava para o convívio de sua turma. Uma fofa! E a outra é que, pela segunda vez em bem pouco tempo, disseram-me que lembro a Jennifer Aniston. Ah...tá! Eu até acreditei. O que não faz a bebida, hein? rs
Abri a porta de casa às 05h20, com sorriso nos lábios, coração aliviado e asas nos pés. Livre como sou e como me sinto.
Quer algo mais curioso que isso? Naquele dia mais propício à diversão, na verdade, senti um incômodo estranho, pra não dizer incomum. Em contrapartida, no dia em que eu não estava suscetível a qualquer estímulo, me diverti pacas. É por isso que sempre digo que precisamos estar abertos e dispostos aos riscos. Porque até os riscos nos apresentam dois possíveis lados.
Perceba que, desta vez, eu quase não me ative às reações alheias, mas sim às minhas próprias reações. Não é raro atentarmos apenas ao que ocorre fora de nós, quando o que mais importa é o que acontece dentro.
Sair só ou acompanhado(a)? Ah, isso é mero detalhe. No último sábado, por exemplo, eu saí só. No entanto, eu, sozinha, era verdadeira multidão.
Por Patricia Limeres – em 05 de novembro de 2012.
No sábado que antecedeu este último (hoje é segunda), lá estava eu toda serelepe para a noitada. Meu astral estava no topo da montanha mais alta que se possa imaginar. Em consequência, estava animada e bem disposta, naturalmente.
Nem me produzi muito, pra ser bem franca. Coloquei aquela saia jeans básica; uma regata também básica, mas de cor marcante; e um sapato estiloso. Dei aquele tapa no cabelo; fiz uma maquiagem razoável e estava pronta.
Embora tenha corrido contra o tempo, não consegui chegar cedo e peguei uma fila de dar desgosto em qualquer um. Para intensificar o drama, ao contrário de outras oportunidades, não me diverti enquanto esperava a fila andar, no sentido literal. O casal a minha frente era quase que a cópia fiel de “Suelen e Rony” (ou Leandro, se preferir), de Avenida Brasil. Não que eu estivesse interessada em ouvir o papo deles, que fique claro. Só foi inevitável, dada a proximidade e a altura com que eles conversavam. Ao que entendi, ele é um jogador de futebol com futuro promissor e ela só falava da carreira dele. Um verdadeiro tédio para quem não curte futebol e/ou celebridades: eu.
Às minhas costas, uma turma de um sem número de jovens. Um pessoal que transbordava bobagens pelos poros, imagine pela boca. Nunca ouvi tanta futilidade junta. Fiquei impressionada com o nível, sério mesmo.
Quando finalmente consegui entrar, a casa já estava relativamente cheia e o tamanho da fila lá fora ainda era de assustar. O que me levou a crer que o ambiente ficaria bem apertado. E assim foi. Passei a noite inteira tentando encontrar o meu lugar na balada. Sabe aquele canto em que a gente se sente bem e fica? Pois é...busca vã. Não achei.
Foi um tal de esbarra daqui, empurra dali. Entre um e outro, o meu humor foi batendo em retirada. Aí, pronto! Tudo começou a me incomodar. A abordagem das pessoas. O calor. A quase que total ausência de educação do povo. TUDO!
Por todo o exposto, assim que terminou a segunda banda, às 02h45, paguei a conta para evitar mais fila e fui embora imediatamente. Bem mais cedo que o habitual. Preciso dizer que a noite não foi boa? O meu estado de espírito estava ótimo. O lugar estava bombando. A música a contento, mas ainda assim, naquela noite, eu não consegui me divertir e a minha companhia não me fez bem. Vai entender...
Já neste último sábado, a história foi outra e o desfecho também, é claro. Qual foi o cenário? Absolutamente o mesmo. As bandas que tocaram também as mesmas. Estava tão cheio quanto no sábado anterior. A diferença? Vou lhe contar já.
Creio que a principal ou talvez a única diferença entre a primeira e a segunda situação esteja relacionada ao meu estado de espírito. Na primeira, eu estava radiante. Já na segunda...
Bom, acho já deu pra notar que o meu humor não estava nada animador, certo? Exato! Na realidade, eu estava tão desanimada e cansada de tudo que tinha decidido ficar em casa e poupar as pessoas de tal energia pesada. Minha prima me convidou para sair com a turma e eu declinei sem nem pensar a respeito.
Já determinada a ficar em casa e me afundar sob as cobertas, de repente me deu um estalo. Sei lá...não sei explicar direito. Me bateu uma vontade de caminhar, sem rumo. Tomar um sorvete para esfriar a cabeça no percurso, enfim...
Eu segui esse instinto e fui dar uma volta. Já era noite. Cheguei ao calçadão da praia, sentei na borda, pisei na areia e fiquei ali. Deixei-me envolver pela brisa que vinha do mar e mergulhei no brilho das luzes dos navios ao longe. Permaneci assim por um bom tempo e sem pensar em NADA. Até que os pensamentos retomaram o seu lugar e espaço. Pensei na vida e, de tanto pensar sem chegar à conclusão alguma, chorei. E, chorando, conversei com Deus em voz alta. Isso mesmo! Feito uma louca. Em resposta, a serenidade não custou a tomar conta de mim.
De alguma forma, nesta conversa que tive com Ele, recuperei um pouco de mim. Então, levantei e voltei para casa sem pressa, mas também sem peso nas costas. Voltei leve.
Ao pisar em casa, decidi que não ficaria entocada de jeito nenhum. E não fiquei.
Escolhi o look de acordo com o salto, a volta que dei no meu desânimo. Não tive pressa alguma. Cuidei de cada detalhe até que olhei-me no espelho e me senti pronta. Ao ver meu reflexo, me reconheci novamente - uma mulher forte e determinada a ser quem é. E mais nada.
Cheguei bem mais cedo que na fatídica noite anterior. Tão cedo que perguntei ao chegar: já está aberto? Ao que a recepcionista respondeu toda sorridente: Sim! Então, já fui caminhando em direção à porta, quando ela perguntou: mas, já vai entrar? E eu: Sim. E, pasme, ela disse com ar de indignação: é que você será a primeira a entrar. E eu respondi: sem problema. Já estou aqui mesmo. Ela reagiu da forma mais engraçada de todas as que já presenciei. Arregalou os olhos e pediu que eu aguardasse, pois o pessoal ainda estava acertando uns últimos detalhes. Eu apenas ri e pensei: oras, mas a casa já não estava aberta? No entanto, calei-me e aguardei a liberação oficial, rindo por dentro, evidente. Ali mesmo, naquele instante, eu tive a certeza de que a noite prometia muita diversão. Tenho de reconhecer que a minha intuição não me enganou.
Não quero cair em repetições desnecessárias. As reações de sempre ocorreram, mas não merecem o destaque da vez. O destaque vai para a interação que tive com várias pessoas, para as amizades que iniciei, para as risadas que dei, para as músicas que cantei, para os passos de dança que ensaiei e para os brindes que levantei.
Ah, já ia me esquecendo de duas coisas importantes. Como assim? Não posso, de jeito nenhum. A primeira é que encontrei uma amiga muito querida na balada, mas ela já me conhece tanto que me deixou à vontade para curtir a noite a meu modo. Aparecia vez ou outra para ver se estava tudo bem, ficava um pouco e voltava para o convívio de sua turma. Uma fofa! E a outra é que, pela segunda vez em bem pouco tempo, disseram-me que lembro a Jennifer Aniston. Ah...tá! Eu até acreditei. O que não faz a bebida, hein? rs
Abri a porta de casa às 05h20, com sorriso nos lábios, coração aliviado e asas nos pés. Livre como sou e como me sinto.
Quer algo mais curioso que isso? Naquele dia mais propício à diversão, na verdade, senti um incômodo estranho, pra não dizer incomum. Em contrapartida, no dia em que eu não estava suscetível a qualquer estímulo, me diverti pacas. É por isso que sempre digo que precisamos estar abertos e dispostos aos riscos. Porque até os riscos nos apresentam dois possíveis lados.
Perceba que, desta vez, eu quase não me ative às reações alheias, mas sim às minhas próprias reações. Não é raro atentarmos apenas ao que ocorre fora de nós, quando o que mais importa é o que acontece dentro.
Sair só ou acompanhado(a)? Ah, isso é mero detalhe. No último sábado, por exemplo, eu saí só. No entanto, eu, sozinha, era verdadeira multidão.
Por Patricia Limeres – em 05 de novembro de 2012.
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