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A decisão de sair só sem dó

Sábado, dia 7 de janeiro. Uma semana exata antes do meu aniversário e eu em casa, sozinha, em plenas férias e sem companhia para sair. Foi exatamente nesse ponto do discurso que me deu um estalo. Opa! Hora de mudar o contexto e o cenário. Nada de ficar confinada pensando no que poderia estar fazendo enquanto estou aqui a sentir pena de mim.

Péssimo dizer isso, eu sei. Quem, em estado normal, deseja que alguém tenha pena de si? Penso que as pessoas, em geral, costumam se prender a esse pavor de ser alvo de dó. Porque sentimentos como esse conotam fraqueza, fragilidade. No fundo, ninguém quer ser tachado de fraco. Assim, cada qual trava a sua luta interna contra seus sentimentos, dores e decepções. Os negam terminantemente, fingindo um astral elevado para que ninguém se compadeça. Então, passam a sentir pena de si mesmas, já que ninguém mais tem esse direito.

Sinceramente? Não sei o que é mais triste: que sintam pena de mim ou que eu mesma sinta. Opto por nenhuma das duas situações. Entretanto, tenho convicção de que para evitá-las preciso fazer algo por mim e para mim. Algo de que goste...que me faça bem de verdade.

Eu gosto de sair, ouvir música, dançar, ver gente. Assim sendo, lá fui eu, mais uma vez e depois de algum tempo, para a aventura de ir sozinha à balada. Acho que traduzi bem, porque é, de fato, uma verdadeira aventura.

Depois de encontrar pique e animação para tal intento, o segundo passo é definir para onde ir. Depois, escolher o traje mais adequado. Aí, vem a fase da produção, que leva algum bom tempo, no caso das mulheres, é claro.

O desafio é fazer tudo isso antes que você comece a encontrar empecilhos, dificuldades e acabe desanimando. Já aconteceu comigo. Depois de praticamente pronta, me olhei no espelho e disse: o que vou fazer lá? Nesse dia, fiquei em casa mesmo. Foi a melhor decisão. Com esse pensamento, não iria me divertir.

Mas dessa vez o desânimo não bateu à porta. Passei por todas essas etapas e me desloquei para um lugar do qual gosto bastante e que me sinto à vontade. Chama-se “Moby”, em Santos/SP. Ao chegar ao local, recebi um seja bem-vinda à...fila. O desânimo que não bateu em casa, chegou com tudo e pouca prosa.

Já que estava ali, não me deixei abater e insisti. Resisti à fila e às abobrinhas cujas as quais os meus ouvidos foram submetidos no trajeto entre o meu posicionamento e a entrada na casa. Houve um momento em que eu acionei o botão mental “desativar” e me concentrei no fato de que lá dentro eu ouviria apenas música.

Logo que finalmente entrei, fui ao bar. Precisava beber algo. Dei aquela olhada panorâmica e caminhei até o local que costumo ficar quando estou sozinha: nos degraus de frente para a pista de dança/palco. Quem disse que eu estava só? Ali, estávamos eu e a minha cerveja. Ambas na nossa.

Ao me deparar com essa cena, viajei no tempo. Apenas no tempo, pois o lugar era exatamente o mesmo. Essa viagem me possibilitou remontar um momento do passado que ficou marcado de forma muito especial. E, de repente, me vi ali naquele mesmo lugar, mas em outro tempo e cercada de outras pessoas. Fiquei, assim, em transe, por um período que não sei precisar. Talvez por alguns segundos ou minutos. Não sei.

Quando voltei ao tempo real, me flagrei com um sorriso ainda formado no rosto e, ao mesmo tempo, com aquela lágrima se formando no canto do olho. Lágrima boa, de saudade.

Se a noite foi boa? Foi. Foi sim. Não foi igual, mas ainda assim foi especial.
Se me diverti? Sim, bastante.
Se valeu a pena? Muito.

É importante que saibamos que, quando resolvemos fazer algo por nós, pode dar certo ou errado; pode ter um bom ou mau resultado; pode não atender as nossas expectativas ou pode superá-las. É sempre um risco. O ideal é fazer o que parece ser o melhor para aquele momento, de coração aberto, sem amarras ou regras. Porque quando fazemos isso, não há arrependimentos.

Por PATRICIA LIMERES – em 9 de janeiro de 2012.

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